Atracou no Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), na manhã de ontem, o casco da plataforma P-68. Ela saiu do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, no dia 8 de dezembro, e chegou ao litoral Norte na última terça-feira. A finalização da plataforma contratada pela Petrobras será feita pelo Estaleiro Jurong.

Depois de um ano difícil no país e no Estado para setores como de petróleo, naval e metalmecânico, a chegada do casco traz mais otimismo para esses segmentos. Aliás, ter a embarcação no Espírito Santo representa a continuidade da operação do estaleiro asiático, que em função da crise econômica, do momento de baixa do preço do barril do petróleo no mundo e dos escândalos envolvendo a Petrobras, acabou sendo impactado e tendo suas atividades reduzidas.
Para empresários, profissionais e especialistas, a notícia é muito bem-vinda e traz alívio visto o cenário dramático pelo qual passam diversas empresas do ramo. Sem os projetos da Petrobras, o setor naval brasileiro afundou nos últimos dois anos e estaleiros do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, por exemplo, sofreram com cancelamentos de contratos, demissões em massa e até mesmo pedidos de recuperação judicial.
Inclusive, o estaleiro onde o casco da P-68 foi construído, o Rio Grande, faz parte dessa lista. Com uma dívida de cerca de R$ 8 bilhões, o estaleiro – da empresa Ecovix – demitiu, na semana passada, 3.200 empregados e deu entrada no pedido de recuperação judicial.
“Desde a crise com a Petrobras e a falta de cumprimento da lei de conteúdo local, os estaleiros estão passando por grandes dificuldades. Por isso, se esse casco da P-68 não tivesse chegado, talvez poderíamos vivenciar o que outros locais estão enfrentando. A P-68 traz oxigênio e esperança de mais atividades na Jurong”, afirmou o presidente do Sindimetal-ES, Roberto Pereira de Souza.
Quem também tem uma avaliação nesse sentido é o consultor da DVF, Durval Freitas. Para ele, ter um empreendimento do porte do EJA – que recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão – ocioso é prejudicial. “As atividades ligadas à construção dessa plataforma representam a retomada da movimentação da economia e da demanda da cadeia de fornecedores, além da criação de empregos, geração de renda e estímulo à inovação e à tecnologia”.
O Estaleiro Jurong Aracruz, que emprega cerca de 1.500 profissionais, será responsável por construir e integrar os módulos da P-68, um FPSO (unidade que produz, armazena e transfere óleo) contratado pela Petrobras para operar no pré-sal da Bacia de Santos. A embarcação terá a capacidade de produzir até 150 mil barris de petróleo por dia.
Mesmo antes de chegar ao litoral Norte capixaba, o EJA já vinha trabalhando na construção dos módulos, que continuarão sendo preparados em terra para, após alguns trâmites naturais do processo relativo ao casco, poderem começar a serem integrados ao navio. O casco tem 288 metros de comprimento, 54 metros de largura e 31,5 metros de altura, e pesa 353 mil toneladas. Procurada, a Jurong não retornou a demanda da reportagem.
Por Beatriz Seixas em 22/12/2016
Fonte: Casco da P-68 chega ao Estado e traz otimismo para o setor naval – Economia – Gazeta Online
